Imigrantes ucranianos chegam a Israel em operação que contou com o apoio da Agência Judaica (Shutterstock) Imigrantes ucranianos chegam a Israel em operação que contou com o apoio da Agência Judaica (Shutterstock)

A Agência Judaica promove o estreitamento dos laços entre as comunidades judaicas da Diáspora e o Estado de Israel. O órgão do governo israelense também é responsável pelos trâmites referentes ao processo de Aliá.


Por David Aghiarian, Unidos com Israel

Jerusalém, 05/07/2022

Atualização: 07/07/2022

 

 

O governo da Rússia notificou a Agência Judaica para Israel e exigiu que o órgão encerre suas atividades no país. Isto, segundo informação divulgada com exclusividade pelo jornalista Zvika Klein, do Jerusalem Post.

“A ordem foi dada no início desta semana pelo Ministério da Justiça da Rússia”, disse Zvika, acrescentando que funcionários da Agência Judaica confirmaram o recebimento da notificação, mas disseram que não poderiam comentar.

A Ministra da Imigração e Absorção de Israel, Pnina Tamano-Shata, disse que havia sido informada a respeito da notificação enviada à Agência Judaica pelo Ministério da Justiça da Rússia. Segundo ela, que imigrou quando criança da Etiópia para Israel, o direito dos judeus da diáspora de fazer aliá deve ser preservado.

“Fiz um apelo ao Primeiro-ministro para que trabalhe junto ao governo em Moscou em busca de uma solução para este problema. Eu quero confortar a comunidade judaica da Rússia, que deve estar temerosa neste momento em razão das consequências da decisão. A aliá é um direito básico dos judeus russos e faremos o necessário para que ele seja preservado”, disse Tamano-Shata através de um post publicado nas redes sociais.

Ainda de acordo com o jornalista do Jerusalem Post, a decisão de Moscou foi motivada pela alegação de que a Agência Judaica coleta dados e informações de cidadãos russos. O que ocorre quando estes entram em contato com a agência ou participam de alguma de suas atividades, como em qualquer outra empresa ou instituição.

 

A Agência Judaica para Israel

 

Criada em 1929, a Agência Judaica para Israel, ou Sochnut HaYehudit em hebraico, é um órgão do governo israelense que estimula o vínculo entre o Estado Judeu e as comunidades judaicas de todo o mundo. Isto, através da promoção da história, cultura, identidade e valores judaicos. Com sede no coração de Jerusalém, o órgão é também responsável por todos os trâmites referentes à Aliá, que nada mais é do que o processo através do qual judeus da diáspora, além de seus cônjuges e descentes, imigram legalmente para Israel.

Atualmente dirigida por Doron Almog, eleito há pouco, a Agência Judaica para Israel atende mais de 15 milhões de judeus em todo o mundo e tem um orçamento anual de 400 milhões de dólares. Hoje, grande parte de seus esforços estão concentrados em enviar ajuda à comunidade judaica da Ucrânia e ao resgate de seus membros, ameaçados pela guerra.

 


Vídeo mostra imagens do trabalho realizado pela Agência Judaica em prol dos refugiados ucrânianos e membros da comunidade judaica do país invadido pela Rússia.

 

Devido à complexidade de seu trabalho a Agência Judaica tem representações em diversas cidades do mundo, entre elas Moscou. Desde o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia aproximadamente 10.000 membros da comunidade judaica russa usaram os serviços de imigração oferecidos pela Agência Judaica e fizeram aliá para Israel.

Esta não é a primeira vez, desde o início da guerra, que autoridades israelenses ou judaicas são alvo da fúria de Moscou. Em maio deste ano, o chanceler Sergey Lavrov, irritado com posição adotada por Jerusalém, disse em uma entrevista para a televisão italiana que “alguns dos piores antissemitas são judeus”.

Em outra ocasião, desta vez em junho, a jornalista Avital Chiznik-Goldschmidt revelou que seu sogro e Rabino-chefe de Moscou, Pinchas Goldschmidt, teve de deixar a Rússia por temer uma reação do Kremlin à sua recusa em apoiar a invasão da Ucrânia.

 

Controversa

 

Após o furo de reportagem do jornalista Zvika Klein a Agência Judaica para Israel veio à público, através das redes sociais, dizer que não havia recebido uma ordem da Rússia exigindo o encerramento de suas atividades no país.

Esta postura pode ter sido adotada para não enfurecer ou provocar as autoridades russas, o que prejudicaria a relação entre as partes e complicaria as negociações entre Moscou e Jerusalém.

De acordo com o Diretor da Unidade de Relações Internacionais da Agência Judaica, Yigal Palmor, a notificação enviada pelas autoridades russas apenas “convida” o órgão a explicar uma série de “questões levantadas”.

“Não houve qualquer exigência para que nossas atividades fossem encerradas, ultimato ou prazo determinado”, disse ele ao Times of Israel, contrariando a ministra Tamano-Shata.

Ainda de acordo com a Agência Judaica, o órgão irá “estudar a fundo as questões levantadas (pela Rússia), suas implicações e responder de acordo”.