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Cia. aérea alemã adotou punição coletiva e impediu o embarque de dezenas de judeus religiosos após dupla negar-se a usar máscara.


Por Unidos com Israel

Tel Aviv, 11/05/2022

 

A companhia aérea alemã Lufthansa desculpou-se nesta terça-feira (11) por um incidente antissemita ocorrido no início deste mês em um voo que partiu de Frankfurt com destino a Budapeste, capital da Hungria.

No dia 4 de maio deste ano, mais de 100 judeus religiosos embarcaram em Nova Iorque em um voo da Lufthansa com destino a Frankfurt. De lá, eles seguiriam para a Budapeste onde participariam de uma celebração religiosa em memória a um famoso rabino húngaro. Mas isto não acontece. Após dois passageiros judeus terem se negado a usar máscaras de proteção contra o coronavírus no primeiro voo do trajeto, todos os demais com aparência judaica foram impedidos de embarcar no segundo voo.

A punição coletiva foi explicada aos passageiros por uma funcionária da cia. aérea alemã que pode ser vista em um vídeo dizendo que haviam sido “os judeus os responsáveis pela bagunça”. Isto, quando questionada por um homem que teve seu embarque impedido, mesmo alegando não estar junto daqueles que se negaram a usar máscaras.

“Os judeus criaram esta bagunça, os judeus são os responsáveis por este problema”, explicou a funcionária que disse ainda: “todos devem ser punidos pelas ações da dupla”.

O vídeo segue com o passageiro pedindo esclarecimentos e questionando: “então judeus criaram um problema no avião e agora todos os judeus estão sendo banidos da Lufthansa?”

“Só deste voo”, respondeu a funcionária da Lufthansa.

 

 

O passageiro flagrado no vídeo, que alegou ter usado a máscara de proteção contra o coronavírus durante toda a duração do primeiro voo, disse estar chocado com o tratamento prestado aos judeus em pleno ano de 2022.

“Estamos em um país ocidental em pleno ano de 2022”, indagou o passageiro à funcionária da Lufthansa ao questionar se a punição coletiva a todos os judeus seria mesmo executada.

Ainda segundo testemunhas a polícia alemã foi acionada no aeroporto de Frankfurt e ao invés de proteger o grupo de judeus da punição coletiva de cunho antissemita, os policiais alinharam-se aos funcionários da Lufthansa.

Passageiros judeus que também estavam no primeiro voo e conseguiram embarcar em Frankfurt com destino a Budapeste contaram que apenas conseguiram fazê-lo por não estar usando roupas “normais”. Ou seja, sem os famosos ternos pretos e chapéus usados pelos judeus ortodoxos.

“Eu estava com uma calça jeans e camisa polo, por isso consegui embarcar”, contou um destes passageiros.

Em nota a Lufthansa desculpou-se pela punição coletiva praticada contra todos os passageiros de aparência judaica.

“Nós lamentamos que um grande grupo foi impedido de embarcar ao invés de limitar a decisão apenas aos passageiros que não cooperaram”, diz anota da cia. aérea alemã.

A Lufthansa disse ainda que está estudando o caso e que entrará em contato com todos os passageiros afetados pela decisão de cunho antissemita.

“Lamentamos não apenas a inconveniência, mas a ofensa e o impacto pessoal causados”, diz a nota.