Madrid é palco de chocante manifestação antissemita: “o inimigo sempre será o mesmo, o judeu” (Screenshot/Youtube) Madrid é palco de chocante manifestação antissemita: “o inimigo sempre será o mesmo, o judeu” (Screenshot/Youtube)

Cenas como estas, vistas em uma praça pública da capital espanhola, são um alerta para a comunidade internacional. Além de vivos, o antissemitismo e o nazismo vêm ganhando força e aos poucos deixam as sombras.


Por David Aghiarian, Unidos com Israel

Tel Aviv, 16/02/2021

 

Corre o mundo, as chocantes imagens de uma manifestação neonazista realizada no último sábado (13), à luz do dia, em uma praça pública de Madrid, capital da Espanha. Convocada pela organização Juventude Patriota de Madrid, o ato reuniu aproximadamente 300 manifestantes que protagonizaram imagens aterrorizantes e que não se diferem daquelas vistas no auge do Terceiro Reich, época em que a Alemanha era governada por Adolph Hitler e o Partido Nazista.

Se ainda restam dúvidas sobre as origens obscuras deste grupo de manifestantes, basta olharmos para o motivo que os levou às ruas, homenagear os mortos da Divisão Azul, grupo de voluntários espanhóis e portugueses que lutaram lado a lado, com o exército nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Com as mãos direitas erguidas, em alusão a saudação nazista “Heil Hitler”, ou “Salve Hitler” em português, a multidão gritou palavras de ordem com bravosidade e fez silêncio para ouvir o discurso de ódio contra os judeus.

“É nossa obrigação suprema lutar pela Espanha, lutar pela Europa que está débil e foi liquidada pelo inimigo. O inimigo que sempre será o mesmo, apesar de suas diferentes máscaras, o judeu”, bradou com convicção uma jovem em seu discurso a multidão.

“Não há nada mais claro do que esta afirmação, o judeu é o culpado”, disse ela de cara limpa e sem vergonha de expor suas teorias odiosas e antissemitas.

 

Diretor do Departamento Internacional da United With Israel e membro da comunidade judaica de Madrid, Jacob Israel condenou a manifestação que com a autorização da polícia local, percorreu as ruas da capital espanhola até chegar a um cemitério e depositar coroas de flores enfeitadas com a suástica nazista, nos túmulos dos soldados da Divisão Azul.

“É uma desgraça que se permita a realização de manifestações como esta em uma democracia europeia mas infelizmente, a cada dia que passa, este tipo de ato se torna mais comum. Esperamos que o governo da Espanha dê a devida atenção ao crescimento do antissemitismo que parte desde a extrema esquerda, até a extrema direita neonazista. Ambos devem ser condenados, ambos devem ser combatidos”, disse Jacob Israel.

Através das redes sociais, o Embaixador de Israel na Espanha, Rodica Radian-Gordon, também condenou o ato neonazista classificando-o como repugnante.

“As proclamações antissemitas feitas em Madrid durante o tributo à Divisão Azul são repugnantes e inaceitáveis em uma sociedade democrática. Educar e aprender a verdade sobre a história é a forma de evitar que o passado se repita”, disse o embaixador.