Foto: Kobi Gideon / GPO (Kobi Gideon/GPO)
Netanyahu phone Trump

Termina em menos de 48 horas o prazo estipulado para que o Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, forme uma coalizão e um governo. Mas, a cada minuto que passa, esta tarefa apresenta-se mais complexa e parece que Netanyahu não terá outra opção, senão informar ao Presidente de Israel que não conseguiu fazê-lo.

 

David Aghiarian, Unidos com Israel

Há apenas três meses Israel teve eleições para o Knesset, o parlamento israelense, e o Primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, saiu vitorioso conquistando 35 cadeiras no parlamento.

Com a vitória do Likud, partido de Netanyahu, nas eleições e depois de ouvir a opinião das lideranças partidárias, Reuven Rivlin, o Presidente de Israel, incumbiu o Primeiro-ministro de formar uma coalizão e um governo.

Para realizar esta tarefa Bibi Netanyahu, a princípio, teve ao se dispor 28 dias. Depois de não haver conseguido fazê-lo, a pedido de Bibi, este período foi prorrogado por mais 14 dias. A legislação não permite mais tempo e se o Primeiro-ministro de Israel não tiver sucesso em formar uma coalizão, novas eleições podem ser convocadas.

As negociações políticas para a formação de uma coalizão

Com a missão de formar uma coalizão e um governo, Benjamin Netanyahu apressou-se em contatar seus aliados naturais, os partidos religiosos.

Os partidos que representam os judeus ultra ortodoxos Shas e Yahadut Hatora, ambos com 8 cadeiras conquistadas nas eleições fizerem suas exigências e fecharam acordos com o Likud, partido de Netanyahu.

A coligação ultranacionalista, Ichud Miflagot Hayamin (União dos Partidos de Direita), com 5 cadeira no parlamento e o partido de centro Kulanu, com 4 cadeiras, também se uniram ao Likud e prometeram fazer parte da coalizão e de um futuro governo de Netanyahu.

Com a união de todos estes partidos, Benjamin Netanyahu conta com uma coalizão de 60 parlamentares.

Em um parlamento com 120 parlamentares, Bibi precisava de apenas mais um partido para formar a coalizão.

Os partidos de esquerda ou os partidos árabes, não são opção plausível para Netanyahu quando o assunto é a formação de uma coalizão. Netanyahu, um político de direita, há anos combate a esquerda, sua trajetória política é baseada nisso. Um exemplo disto é seu slogan na última campanha eleitoral, “Netanyahu. Direita. Forte. Sucesso.”

Além dos partidos de esquerda, Netanyahu poderia tentar um acordo com o segundo maior grupo político de Israel, a coligação Azul e Branco, que se apresenta como um partido de centro-direita no mapa político israelense.

Durante toda a campanha eleitoral, os líderes da coligação Azul e Branco, Benny Gantz, Yair Lapid, Gabi Ashkenazi e Moshe (Bugui) Yaalon, se apresentaram como uma alternativa à Netanyahu. Os ataques entre o Likud e o Kachol Lavan não tiverem escrúpulos. Golpes abaixo da linha da cintura foram disparados a torto e a direito e a cada dia, a opção de um pacto político se distanciava.

Em um determinado ponto da campanha eleitoral, Yair Lapid, adversário de Bibi e líder do partido Yesh Atid, obrigou seu aliado, Benny Gantz, a prometer que uma coligação com o Likud estava fora de questão, enquanto Netanyahu fosse o líder do partido e postulante ao cargo de Primeiro-ministro.

Assim, durante as negociações para formação de uma coalizão, a coligação Azul e Branco, formada pelos partidos Otzmá LeIsrael, Yesh Atid e Talam, deixou de ser uma opção para o governo de Benjamin Netanyahu.

Avigdor Lieberman, a pedra no sapato de Bibi

Avigdor Lieberman, líder do partido Israel Beiteinu. Foto: Noam Revkin Fenton/Flash90

Sem muitas opções, Netanyahu buscou o apoio de Avigdor Lieberman, líder do partido de direita ultranacionalista, Israel Beiteinu, ou Israel é nossa casa. Lieberman é um antigo aliado de Netanyahu, foi Ministro das Relações Exteriores e Ministro da Defesa em governos de Netanyahu.

Enquanto ocupava o cargo de Ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, pediu demissão do governo de Netanyahu em novembro de 2018 alegando desavenças com o Primeiro-ministro.

Lieberman defende causas como a pena de morte para terroristas e a completa destruição do Hamas. Sua demissão veio logo após um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

Durante as negociações para a formação de uma coalizão, Lieberman chegou a indicar Netanyahu para o cargo de Primeiro-ministro e a participar de diversas reuniões. Chegou a ser apontado por especialistas e jornalistas, como o mais forte candidato para o cargo de Ministro da Defesa, mas estas previsões não se consolidaram.

Para Lieberman, o pacto de Netanyahu com os religiosos é descomedido, ele defende que todos os israelenses devem servir ao Exército, inclusive os religiosos, que não concordam.

O partido de Avigdor Lieberman conquistou 4 cadeiras no parlamento israelense com a mensagem “Israel beiteinu. Também de direita e mesmo assim laico.” Quatro cadeiras importantíssimas para Netanyahu conseguir unir a maioria do Knesset e assim formar uma coalizão e o governo.

A lei de serviço militar

A legislação em Israel determina que todo jovem, ao completar 18 anos, deve se alistar e servir ao exército. Todo jovem. Homem, mulher, religioso, laico, cristão, judeu, muçulmano etc. Todo jovem.

A liderança ultra ortodoxa, sejam rabinos ou políticos, não incentiva o serviço militar. Eles acreditam que basta que os jovens estudem Torá, para que Israel esteja protegido de seus inimigos. Além disso, eles acreditam que se os jovens religiosos forem para o exército, eles perderão sua “pureza” e se afastarão da religião e de Deus.

Por anos, pactos políticos e leis, garantiram aos religiosos o direito de não servir ao exército, enquanto estivessem matriculados em uma escola rabínica e estivesse estudando Torá dia e noite. Por anos o exército era uma obrigação apenas para o resto da sociedade israelense, para judeus laicos, religiosos nacionalistas, cristãos etc. Até que um dia a sociedade gritou: “Basta! Queremos direitos e obrigações iguais.”

Avigdor Lieberman, assim como Yair Lapid, é um dos defensores desta causa. Ele acredita que todo cidadão tem a obrigação de servir ao exército e defender o Estado de Israel. Esta é uma das bandeiras de Lieberman e ele não está pronto para abrir mão do serviço militar para todos.

O pacto entre Netanyahu e os partidos religiosos estipula que apenas uma pequena parcela dos jovens religiosos servirá ao exército, os outros continuarão nas escolas rabínicas estudando Torá dia e noite.

Avigdor Lieberman não concorda com isso, para ele a maioria dos jovens religiosos devem ir para exército e apenas uma pequena parcela, a ser determinada pelo próprio exército, poderá permanecer nas escolas rabínicas.

Este embate, entre estes dois grupos de direita, um laico e outro religioso, pode levar Israel à mais uma eleição dentro de três meses.

Se Benjamin Netanyahu, que já disse na noite desta segunda-feira, que novas eleições não são necessárias e que Lieberman deve pensar novamente em abrir mão da lei de serviço militar obrigatório, não conseguir unir os grupos e formar uma coalizão, poderemos ter novas eleições em Israel dentro de três meses.