Dr. Roy Kishony (Photo: courtesy) (Photo: courtesy)
Dr. Roy Kishony of the Technion-Israel Institute of Technology

Tecnologia israelense permite que médicos desenvolvam antibióticos “sob medida” para cada um de seus pacientes e assim, contornem a resistência das bactérias aos medicamentos.

Por Abigail Klein Leichman, ISRAEL21c

Uma tecnologia inovadora, desenvolvida por pesquisadores do Instituto Technion em Israel em parceria com o Instituto de Pesquisa e Inovação Kahn-Sagol-Maccabi (KSM), pode aprimorar tratamentos com antibióticos e ainda impedir o desenvolvimento de bactérias resistentes.

A tecnologia foi apresentada em um estudo publicado na revista Nature Medicine depois de um longo período de pesquisas e testes. Os trabalhos foram liderados pela Dra. Varda Shalev do Instituto KSM e pelos pesquisadores Roy Kishony e Idan Yelin do Technion.

O uso excessivo de antibióticos de amplo espectro levou as bactérias a se desenvolverem e se tornarem mais resistentes. Como resultado, os antibióticos comuns estão perdendo sua eficácia e infecções bacterianas, hoje consideradas leves, poderiam se tornar mortais. Esta tendência perigosa pode ser neutralizada através da prescrição de antibióticos “feitos sob medida” para cada paciente.

Roy Kishony, um dos principais especialistas no assunto, desenvolveu métodos para o mapear a genética das bactérias e assim, combater a resistência destas, aos antibióticos. Esta técnica, permite que cientistas descubram quais bactérias são resistentes, ou desenvolverão resistência aos antibióticos e o que deve ser feito para contornar este problema.

O estudo dos pesquisadores israelenses, teve a infecção urinária como um dos principais focos. Esta doença, afeta mais da metade das mulheres em algum momento de suas vidas e são causadas por diferentes tipos de bactérias como a Klebisiella, Escherichia Coli e Proteus.  Os pesquisadores descobriram que os níveis de resistência aos antibióticos são diferentes em cada paciente, e que um certo antibiótico pode ser eficaz em um quadro clínico e não surtir efeito algum em outro. Daí, a necessidade de criar medicamentos específicos para cada bactéria e paciente.

“Através de nossos equipamentos, podemos prever o nível de resistência das bactérias em pacientes com infecções”, disse Idan Yelin. “Para atingirmos o objetivo, consideramos o histórico de resistência das bactérias em outros pacientes, o histórico clínico do paciente em questão e dados demográficos, como por exemplo, idade, sexo, gravidez ou local de residência”, disse o pesquisador do Technion.

Durante 10 anos, os pesquisadores avaliaram mais de 5 milhões de casos e mediram a resistência de bactérias aos antibióticos em mais de 700 mil culturas de urinas. Toda a informação coletada, transferida para um banco de dados e combinada com a tecnologia, ajudará médicos a escolherem o melhor antibiótico para cada um de seus pacientes.

De acordo com os pesquisadores israelenses, pode-se reduzir em até 40%, a probabilidade de escolha de uma medicação errada. Para Shalev, isso é “um avanço real quando o assunto é a resistência de bactérias aos antibióticos”.