Foto: IDF Spokesman Unit Foto: IDF Spokesman Unit

Horas antes da operação que matou Qassem Soliemani, Netanyahu disse que acontecimentos dramáticos estavam por vir.

Unidos com Israel

Neste domingo, a rede de notícias americana NBC publicou um extenso artigo sobre a operação do Exército dos Estados Unidos que matou o terrorista iraniano Qassem Soliemani.

No artigo exclusivo, a NBC confirmou o envolvimento do serviço de inteligência de Israel com a dramática operação. Israel teria confirmado a localização de Soliemani quando este aterrissou no aeroporto de Bagdad na última sexta-feira, 3 de janeiro de 2020.

Viagem de Damasco à Bagdad em um avião comercial

Soliemani saiu de Damasco em direção ao aeroporto de Bagdad em um avião comercial da Cia. aérea síria Cham Wings Airlines. Isto como medida de precaução, para despistar possíveis espiões e para evitar que o avião fosse abatido ainda no ar.  A espera de Soliemani, o voo teria sido atrasado na capital síria por três horas. Logo após a entrada no general iraniano na aeronave, as portas foram finalmente fechadas e a decolagem autorizada.

Uma rede de informantes, tanto no aeroporto de Damasco quanto em Bagdad estavam acompanhando a movimentação de Soliemani. Eles eram responsáveis por manter as autoridades israelenses e americanas informados sobre a localização do general a todo momento.

Quando a aeronave de modelo Airbus A-320 pousou em Bagdad, por volta da 1 da manhã, veículos foram até a pista do aeroporto e aguardaram próximo a aeronave. Enquanto isso, no centro de operações, vários oficiais do exército americano acompanhavam em tempo real, através de imagens que estaria sendo gravadas por câmeras de visão noturna.

Quando as portas da aeronave foram abertas, um miliciano iraquiano subindo as escadas para recepcionar o general que foi então levado a um dos veículos, seus seguranças seguiram em um segundo carro. Neste momento, os americanos não puderam confirmar a identidade de Soliemani devido a escuridão. Os funcionários do governo americano que falaram com a rede NBC disseram que as imagens das câmeras estavam embaçadas.

Mesmo assim, neste momento, três drones americanos foram posicionados e acompanharam os automóveis que supostamente levavam Soliemani. Era necessário apenas a confirmação de que ele realmente estava em um dos veículos para que a autorização para o bombardeio fosse concedida. Esta só veio graças aos esforços do serviço de inteligência israelense.

Segundos depois, o maior terrorista do mundo estava morto.

De acordo com a NBC, o seu artigo foi escrito a partir dos relatos de “duas pessoas diretamente familiarizadas com os detalhes da operação”. Além disso, a NBC baseou-se ainda em depoimentos de altos funcionários do governo americano que receberam informes sobre a operação militar que eliminou Soliemani.

A entrevista de Netanyahu horas antes do bombardeio

Na quinta-feira, horas antes da morte de Soliemani o Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu deu uma entrevista aos jornalistas que o aguardavam no Aeroporto Ben Gurion.

Momentos antes de embarcar para a Grécia, onde se encontraria com o presidente grego e com o Primeiro-ministro do Chipre, Netanyahu disse que “acontecimentos dramáticos estão por vir, nós estamos acompanhando tudo de perto e mantemos contato direto com nosso maior aliado, os Estados Unidos. Inclusive conversamos ontem à tarde”. De acordo com a mídia israelense, o Premier se referiu a uma conversa pelo telefone com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo.

 

Na mesma entrevista, Netanyahu disse: “Nós damos total apoio a qualquer medida adotada pelos Estados Unidos que tem o direito de defender e de defender seus cidadãos.”

Naquela ocasião, as palavras de Benjamin Netanyahu não chamaram a atenção da mídia internacional, nem poderiam. Mas hoje, mais de uma semana após a operação que matou Qassem Soulimani, as peças estão se encaixando.